Fundo de Investimento - Como funciona na prática

Fundo de Investimento: Como funciona na prática

Um Fundo de Investimento permite juntar o dinheiro de vários investidores e aplicá-lo numa carteira de ativos gerida de acordo com uma estratégia definida.

Na prática, em vez de escolher individualmente cada ação, obrigação ou outro investimento, o investidor compra uma participação num património coletivo.

Esta explicação parece simples. Contudo, antes de investir, surgem várias perguntas: quem decide onde colocar o dinheiro? Como é calculado o valor do investimento?

É possível levantar o dinheiro a qualquer momento? Quanto se paga em comissões? Existe garantia de capital?

Estas dúvidas são importantes porque um fundo não funciona como uma conta poupança ou um depósito a prazo.

O valor investido pode subir. Também pode descer.

A rentabilidade depende do desempenho dos ativos que fazem parte da carteira, dos custos suportados pelo fundo e, em determinadas situações, de fatores como taxas de juro, câmbio, risco de crédito e evolução dos mercados financeiros.

Por outro lado, os fundos permitem aceder a uma carteira diversificada sem ser necessário comprar dezenas ou centenas de ativos diretamente.

A gestão é assegurada por uma entidade profissional que segue a política de investimento estabelecida para o fundo.

Neste guia vai perceber, com exemplos simples, como funciona um fundo, o que são unidades de participação, como se ganha ou perde dinheiro e quais os principais pontos que deve analisar antes de subscrever.

O que é um Fundo de Investimento?

Um fundo de investimento é um património coletivo formado pelo dinheiro aplicado por vários investidores.

Esse património é investido de acordo com uma política previamente definida.

Dependendo do fundo, o dinheiro pode ser aplicado em ações, obrigações, instrumentos do mercado monetário, imóveis ou diferentes classes de ativos.

Imagine 10.000 pessoas que pretendem investir.

Em vez de cada uma construir e gerir individualmente uma carteira, o dinheiro é reunido num fundo. Uma entidade gestora toma as decisões de investimento dentro das regras estabelecidas nos documentos do produto.

O investidor não passa a ser proprietário direto de uma ação específica que exista na carteira.

Passa a deter unidades de participação do fundo.

Esta diferença é essencial para compreender o funcionamento do produto.

O fundo é um património coletivo

Quando subscreve um fundo, o seu dinheiro é aplicado juntamente com o capital dos restantes participantes.

O património pode ser distribuído por vários ativos.

Um fundo de ações europeias pode, por exemplo, investir em empresas de diferentes países e setores. Um fundo de obrigações pode deter títulos emitidos por Estados e empresas. Um fundo misto pode combinar ações, obrigações e liquidez.

A composição concreta depende da política de investimento.

É por isso que não deve escolher um fundo apenas pelo nome.

Dois produtos com designações semelhantes podem apresentar carteiras, níveis de risco e custos bastante diferentes.

O que são unidades de participação?

O património de um fundo é dividido em parcelas denominadas unidades de participação, também conhecidas pela sigla UP.

É através da subscrição destas unidades que o investidor participa no fundo.

O valor de cada unidade de participação resulta, de forma simplificada, da divisão do valor global do fundo pelo número de unidades emitidas, segundo as regras aplicáveis ao cálculo.

Imagine um fundo com um património líquido de 10 milhões de euros e um milhão de unidades de participação.

Numa explicação simplificada, cada unidade teria um valor de 10 euros.

Se investir 1.000 euros, e ignorando comissões ou outras condições para facilitar o exemplo, poderá adquirir 100 unidades.

Se o valor de cada unidade subir para 11 euros, as suas 100 unidades passam a representar 1.100 euros.

Se o valor descer para 8 euros, passam a representar 800 euros.

É assim que a evolução da unidade de participação afeta diretamente o valor do investimento.

Como funciona um Fundo de Investimento na prática?

O processo pode ser dividido em três momentos principais: subscrição, permanência no fundo e resgate.

Na subscrição, o investidor aplica dinheiro e adquire unidades de participação.

Durante o período em que mantém o investimento, o valor dessas unidades pode variar. A entidade gestora compra, vende e acompanha os ativos da carteira de acordo com a política definida.

No resgate, quando permitido pelas regras do fundo, o investidor solicita a conversão das suas unidades em dinheiro.

O valor recebido depende do valor aplicável às unidades no momento relevante e das comissões, impostos ou outras condições que possam existir.

Primeiro passo: o investidor subscreve unidades

A subscrição corresponde à entrada no fundo.

O investidor escolhe o montante que pretende aplicar, respeitando o mínimo definido pelo produto, e dá uma ordem de subscrição através da entidade comercializadora.

Pode existir um investimento inicial mínimo.

Alguns fundos permitem começar com valores reduzidos. Outros destinam-se a investidores com montantes superiores.

Antes da subscrição, devem ser analisados os documentos de informação do produto, incluindo a estratégia, riscos, custos e condições de resgate.

Segundo passo: o dinheiro é aplicado na carteira

A entidade gestora administra o património do fundo.

Se a política indicar que o fundo investe principalmente em ações globais, a carteira poderá incluir participações em empresas de vários mercados.

Se for um fundo de obrigações, poderá investir em dívida pública ou empresarial.

A entidade gestora não tem liberdade absoluta para transformar um fundo conservador num fundo de ações especulativas de um dia para o outro.

Tem de atuar dentro da política e das regras aplicáveis ao produto.

Terceiro passo: o valor do fundo varia

Os ativos que fazem parte da carteira mudam de valor.

As ações sobem e descem. As obrigações podem valorizar ou desvalorizar. As taxas de câmbio alteram-se. O valor dos imóveis pode variar.

Estas alterações influenciam o património do fundo e, consequentemente, o valor das unidades de participação.

O investidor acompanha a evolução através do valor da UP.

Quarto passo: o investidor pede o resgate

Quando pretende sair de um fundo aberto, o participante pode solicitar o resgate das suas unidades de acordo com as regras e prazos previstos.

O resgate é, de forma simples, a saída do investimento.

Contudo, não deve assumir que o dinheiro fica disponível instantaneamente.

O fundo pode ter prazos de liquidação e regras próprias para a valorização da ordem.

Leia sempre as condições antes de investir.

Exemplo prático: investir 5.000 euros num fundo

Imagine que decide investir 5.000 euros num fundo cuja unidade de participação vale 10 euros.

Para simplificar, vamos ignorar custos e impostos.

Adquire 500 unidades de participação.

CenárioValor da UPValor das 500 UP
Investimento inicial10 €5.000 €
Valorização12 €6.000 €
Desvalorização8 €4.000 €

No cenário de valorização, o investimento representa 6.000 euros.

Existe uma valorização de 1.000 euros face ao montante inicial, antes de considerar custos e fiscalidade.

No cenário de desvalorização, as unidades representam 4.000 euros.

Existe uma perda de valor de 1.000 euros.

Este exemplo mostra uma regra essencial: o número de unidades pode manter-se igual, mas o valor de cada unidade muda.

É essa variação que faz o valor do investimento subir ou descer.

Onde é investido o dinheiro de um fundo?

Depende da categoria e da política de investimento.

Não existe uma carteira universal.

Antes de investir, deve perceber quais são os ativos que podem integrar o fundo e em que proporções.

Fundos de ações

Investem principalmente em ações de empresas.

Podem especializar-se por:

  • País;
  • Região;
  • Setor económico;
  • Dimensão das empresas;
  • Estilo de investimento;
  • Tema.

Existem, por exemplo, fundos centrados em ações europeias, empresas norte-americanas, mercados emergentes, tecnologia ou saúde.

Os fundos de ações podem apresentar oscilações significativas.

Uma queda dos mercados pode provocar uma desvalorização relevante num curto período.

Por esse motivo, devem ser analisados de acordo com o horizonte temporal e a capacidade do investidor para suportar perdas.

Fundos de obrigações

Investem principalmente em títulos de dívida.

Quando um Estado ou uma empresa emite uma obrigação, procura obter financiamento junto dos investidores.

Um fundo pode reunir dezenas ou centenas de obrigações.

Apesar de serem frequentemente associados a menor volatilidade do que as ações, estes fundos não são isentos de risco.

Podem existir:

  • Risco de taxa de juro;
  • Risco de crédito;
  • Risco de incumprimento;
  • Risco cambial;
  • Risco de liquidez.

Quando as taxas de juro de mercado sobem, determinadas obrigações existentes podem perder valor.

Por isso, um fundo de obrigações também pode apresentar rentabilidade negativa.

Fundos mistos

Combinam diferentes classes de ativos.

Podem ter ações, obrigações e instrumentos de liquidez.

A proporção varia consoante a estratégia.

Um fundo misto defensivo pode ter uma exposição reduzida a ações. Um fundo misto mais dinâmico pode manter uma percentagem elevada em mercados acionistas.

Não escolha apenas porque a palavra “misto” parece equilibrada.

Verifique a alocação efetiva e os limites previstos.

Fundos imobiliários

Os fundos de investimento imobiliário aplicam o património principalmente em ativos relacionados com o setor imobiliário, dentro do respetivo enquadramento.

A carteira pode estar exposta a:

  • Escritórios;
  • Comércio;
  • Logística;
  • Habitação;
  • Hotéis;
  • Outros segmentos imobiliários.

O investidor obtém exposição ao mercado imobiliário sem ter de comprar diretamente um apartamento, loja ou armazém.

Contudo, existem riscos.

A desvalorização dos imóveis, a redução das rendas, imóveis desocupados e dificuldades de liquidez podem afetar o fundo.

Quem gere um Fundo de Investimento?

A gestão é assegurada por uma entidade gestora.

É esta entidade que acompanha os mercados e toma decisões sobre a carteira, dentro da política definida.

Na prática, a equipa de gestão pode:

  • Analisar empresas;
  • Avaliar obrigações;
  • Comprar ativos;
  • Vender posições;
  • Ajustar a exposição ao risco;
  • Gerir liquidez;
  • Acompanhar os limites da carteira.

Existem ainda outras entidades e funções relevantes na estrutura e funcionamento dos organismos de investimento coletivo.

Para o pequeno investidor, a principal ideia é simples: não é o participante individual que decide diariamente quais os ativos comprados e vendidos pelo fundo.

Ao subscrever, aceita uma política de investimento e delega a gestão da carteira numa entidade profissional.

Isto poupa tempo, mas não elimina o risco.

Uma gestão profissional não garante rentabilidade positiva.

Como se ganha dinheiro com um fundo?

A rentabilidade pode surgir através da valorização das unidades de participação e, em determinados fundos, da distribuição de rendimentos.

Valorização da unidade de participação

Se os ativos da carteira valorizarem, o valor do fundo pode aumentar.

Consequentemente, a unidade de participação pode subir.

Imagine que compra unidades a 20 euros e, alguns anos depois, o valor aplicável ao resgate é 27 euros.

Existe uma valorização de 7 euros por unidade, antes de considerar custos e fiscalidade.

O contrário também pode acontecer.

Se o valor cair de 20 para 15 euros e resgatar nesse momento, poderá realizar uma perda.

Fundos de distribuição

Nos fundos de distribuição, os rendimentos gerados podem ser distribuídos aos participantes, de acordo com as regras do produto.

O investidor pode receber valores periodicamente quando existe uma distribuição.

Não deve confundir uma distribuição com uma rentabilidade garantida.

O fundo continua sujeito à evolução dos ativos.

Fundos de capitalização ou acumulação

Nos fundos de capitalização, os rendimentos são incorporados no valor da unidade de participação.

Em vez de receber uma distribuição periódica, o valor permanece no fundo e contribui para a evolução da UP.

Este mecanismo pode favorecer a acumulação ao longo do tempo, mas continua sujeito ao desempenho da carteira.

É possível perder dinheiro num Fundo de Investimento?

Sim.

Esta é uma das informações mais importantes para qualquer investidor.

Os fundos não oferecem, por regra geral, uma promessa de rentabilidade positiva.

O valor das unidades de participação pode descer.

As perdas podem resultar de vários acontecimentos:

  • Queda das bolsas;
  • Subida das taxas de juro;
  • Incumprimento de emitentes;
  • Desvalorização cambial;
  • Problemas no mercado imobiliário;
  • Crises económicas;
  • Eventos geopolíticos;
  • Falta de liquidez;
  • Decisões de investimento desfavoráveis.

O nível de risco depende da carteira.

Um fundo concentrado num único setor pode sofrer uma queda acentuada se esse setor enfrentar dificuldades.

Um fundo diversificado por várias geografias e classes de ativos pode distribuir melhor determinados riscos, embora a diversificação não elimine a possibilidade de perdas.

Antes de investir, pergunte a si próprio: como reagiria se visse 10%, 20% ou mais do investimento desaparecer temporariamente do valor apresentado?

Se a resposta for “resgatava imediatamente”, um produto muito volátil pode não ser adequado ao seu perfil.

Um Fundo de Investimento tem capital garantido?

Não deve assumir que existe garantia de capital.

Um fundo de investimento é diferente de um depósito bancário.

Num depósito, a instituição de crédito fica obrigada a devolver o montante depositado nas condições contratadas. Os depósitos elegíveis beneficiam ainda dos sistemas de garantia aplicáveis, até aos limites legais.

Nos fundos, o valor depende dos ativos da carteira.

Se esses ativos desvalorizarem, a unidade de participação pode perder valor.

É importante não confundir:

  • Um fundo de investimento;
  • Um depósito a prazo;
  • Um seguro financeiro;
  • Um produto estruturado;
  • Um PPR sob a forma de fundo;
  • Um contrato ligado a fundos de investimento.

Podem existir produtos com nomes comerciais semelhantes, mas características jurídicas e riscos diferentes.

Leia o Documento de Informação Fundamental e a documentação do produto antes de aplicar dinheiro.

Como funcionam as comissões dos fundos?

Os custos têm impacto na rentabilidade.

Mesmo uma diferença aparentemente pequena pode tornar-se relevante num investimento mantido durante vários anos.

Entre os custos que podem existir encontram-se:

  • Comissão de subscrição;
  • Comissão de resgate;
  • Comissão de gestão;
  • Outros encargos suportados pelo fundo.

Comissão de subscrição

Pode ser cobrada no momento da entrada.

Imagine que pretende aplicar 10.000 euros e existe uma comissão relacionada com a subscrição.

O custo deve ser considerado no cálculo da rentabilidade necessária para recuperar o montante inicialmente aplicado.

Nem todos os fundos cobram esta comissão.

Comissão de resgate

Pode ser aplicada quando solicita o resgate das unidades.

Em alguns produtos, o custo pode depender do período durante o qual manteve o investimento.

Leia as condições antes de subscrever, sobretudo se existe a possibilidade de precisar do dinheiro a curto prazo.

Comissão de gestão

Remunera a gestão do fundo.

Este custo é suportado pelo património e encontra-se refletido no valor da unidade de participação de acordo com as regras aplicáveis.

É um erro ignorar a comissão de gestão apenas porque não recebe uma fatura mensal.

O custo existe e afeta a rentabilidade líquida do investimento.

Porque os custos são tão importantes?

Imagine dois fundos com uma carteira e desempenho bruto hipoteticamente semelhantes.

Um suporta custos anuais mais elevados do que o outro.

Ao longo de dez ou vinte anos, a diferença acumulada pode ser significativa.

Antes de investir, compare os custos totais e não apenas a existência de uma comissão de entrada.

A CMVM disponibiliza informação sobre fundos, custos e valores das unidades de participação, sendo uma referência importante para investidores em Portugal.

Qual é a diferença entre fundo aberto e fundo fechado?

Os fundos podem apresentar diferentes formas de subscrição e resgate.

Fundos abertos

Nos fundos abertos, os investidores podem, de acordo com as regras previstas, subscrever e resgatar unidades de participação.

São produtos em que o número de unidades pode variar em função das entradas e saídas dos participantes.

Contudo, “aberto” não significa necessariamente “dinheiro disponível imediatamente”.

Existem prazos e procedimentos de resgate.

Fundos fechados

Nos fundos fechados, a subscrição ocorre durante um período definido e o resgate segue as condições associadas à duração e liquidação do fundo.

A possibilidade de vender uma participação antes do final depende da estrutura e das regras aplicáveis.

Por isso, a liquidez deve ser analisada antes da entrada.

Fundo de Investimento ou depósito a prazo?

São produtos diferentes e servem objetivos diferentes.

CaracterísticaFundo de investimentoDepósito a prazo
RentabilidadeDepende do desempenho e custosRemuneração definida nas condições
Valor pode descerSimSegue as condições do depósito
Garantia de depósitosNão é um depósitoPode estar abrangido até aos limites legais
DiversificaçãoPode investir em vários ativosNão corresponde a uma carteira de ativos do cliente
HorizonteDepende da estratégia e riscoPrazo definido no contrato
Risco de mercadoPode existirNão funciona como investimento direto nos mercados

Uma pessoa que precisa do dinheiro para pagar a entrada de uma casa dentro de seis meses pode valorizar a estabilidade e previsibilidade.

Outra pessoa que investe para um objetivo a 20 anos pode aceitar oscilações em troca de exposição a ativos com potencial de valorização.

A escolha depende do objetivo, prazo e capacidade de suportar risco.

Como escolher um Fundo de Investimento?

Escolher apenas o fundo que mais subiu no último ano é um dos erros mais frequentes.

A rentabilidade passada não garante resultados futuros.

Antes de subscrever, analise pelo menos os seguintes pontos.

1. Objetivo do investimento

Defina para que serve o dinheiro.

Reforma? Entrada para uma casa? Estudos dos filhos? Crescimento do património?

O objetivo ajuda a determinar o prazo e o risco aceitável.

2. Horizonte temporal

Quando vai precisar do dinheiro?

Um fundo volátil pode ser inadequado para um objetivo que acontece dentro de poucos meses.

Quanto menor o prazo, menor pode ser a capacidade para esperar por uma recuperação após uma queda.

3. Nível de risco

Analise o indicador de risco apresentado na documentação do produto e procure perceber o que significa.

Não escolha um nível elevado apenas porque a rentabilidade histórica parece mais atrativa.

Pense na sua reação perante perdas.

4. Política de investimento

Veja onde o fundo investe.

Analise geografias, setores, moedas e classes de ativos.

Se não consegue explicar, em termos simples, onde está aplicado o dinheiro, procure mais informação antes de subscrever.

5. Custos

Compare comissões e encargos.

Veja o impacto estimado dos custos ao longo do período recomendado.

6. Liquidez

Confirme como e quando pode pedir o resgate.

Veja os prazos e eventuais custos de saída.

7. Diversificação

Analise a concentração da carteira.

Um fundo exposto a um único setor ou país pode ter riscos específicos superiores.

8. Entidade gestora e comercializadora

Confirme que está a lidar com entidades autorizadas.

A CMVM disponibiliza informação para investidores e listas de entidades autorizadas e alertas sobre entidades não autorizadas.

Passo a passo para investir num fundo

Passo 1: crie um fundo de emergência

Antes de investir em produtos sujeitos a oscilações, avalie se tem dinheiro disponível para despesas inesperadas.

Investir a reserva destinada a uma avaria do carro ou a uma emergência familiar pode obrigá-lo a resgatar durante uma queda.

Passo 2: defina o objetivo

Escreva o objetivo e a data aproximada em que vai precisar do dinheiro.

Passo 3: avalie o risco

Seja realista.

Não confunda vontade de ganhar mais com capacidade para suportar perdas.

Passo 4: pesquise fundos adequados

Compare produtos com estratégias semelhantes.

Não compare diretamente um fundo de ações tecnológicas com um fundo de obrigações de curto prazo como se tivessem o mesmo objetivo.

Passo 5: leia a informação fundamental

Analise riscos, custos, horizonte recomendado e estratégia.

Passo 6: confirme a entidade

Verifique se a entidade está autorizada a prestar o serviço em causa.

Passo 7: escolha o montante

Invista um valor compatível com o seu orçamento e objetivos.

Não aplique dinheiro de que poderá precisar a curto prazo num fundo com elevada volatilidade.

Passo 8: acompanhe sem reagir a cada movimento

Acompanhar não significa verificar a aplicação de hora a hora.

Compare a evolução com o objetivo, risco e estratégia do fundo.

Passo 9: reveja periodicamente

O seu prazo, situação familiar e objetivos podem mudar.

Reavalie se o investimento continua adequado.

Erros comuns ao investir num Fundo de Investimento

Escolher pelo fundo que mais subiu

Uma forte rentabilidade passada pode resultar de condições que não se vão repetir.

Ignorar as comissões

Custos recorrentes afetam o resultado acumulado.

Investir dinheiro de emergência

Pode ser obrigado a resgatar numa altura desfavorável.

Assumir que o capital está garantido

Um fundo não deve ser confundido com um depósito.

Resgatar em pânico após uma queda

As decisões emocionais podem transformar uma desvalorização numa perda realizada.

Isto não significa que nunca deve vender. Significa que a decisão deve considerar a estratégia e o objetivo, e não apenas o medo do momento.

Concentrar todo o dinheiro num único tema

Setores populares podem sofrer correções acentuadas.

Não perceber onde o fundo investe

O nome comercial não substitui a leitura da política de investimento.

Confundir risco baixo com risco zero

Um produto com menor volatilidade pode continuar a apresentar perdas.

Investir através de entidades não autorizadas

Confirme sempre a entidade e desconfie de promessas de rentabilidade elevada, rápida e sem risco.

Checklist antes de subscrever um fundo

PerguntaConfirmado
Sei qual é o meu objetivo?
Tenho um horizonte temporal definido?
Percebo onde o fundo investe?
Aceito a possibilidade de perder dinheiro?
Li a informação sobre risco?
Comparei os custos?
Conheço as regras de resgate?
Tenho fundo de emergência?
Confirmei a entidade?

Perguntas frequentes sobre Fundo de Investimento

O que é um fundo de investimento?

É um património coletivo formado pelo dinheiro de vários investidores e aplicado numa carteira de ativos de acordo com uma política de investimento definida.

Como funciona um fundo de investimento?

O investidor subscreve unidades de participação. O dinheiro é gerido pela entidade gestora e aplicado nos ativos previstos. O valor das unidades pode subir ou descer. Nos fundos abertos, o investidor pode pedir o resgate de acordo com as regras do produto.

É possível perder todo o dinheiro?

Os fundos apresentam diferentes níveis de risco e podem gerar perdas. A dimensão de uma perda depende dos ativos, da estratégia e das condições de mercado. Antes de investir, deve analisar os riscos específicos do produto.

Um fundo tem capital garantido?

Não deve assumir que existe garantia de capital. Os fundos de investimento estão sujeitos à evolução dos ativos que integram a carteira e não são depósitos bancários.

Quanto dinheiro é necessário para investir?

Depende do fundo e da entidade comercializadora. Existem produtos com montantes mínimos reduzidos e outros com valores mínimos superiores.

Posso levantar o dinheiro quando quiser?

Depende do tipo de fundo. Nos fundos abertos, o resgate é possível de acordo com as regras previstas, mas existem prazos de valorização e liquidação. Nos fundos fechados, as condições são diferentes.

O que é uma unidade de participação?

É uma parcela do património do fundo. O investidor participa através da aquisição destas unidades e o respetivo valor acompanha a evolução do fundo.

Como sei se um fundo está a ganhar dinheiro?

Pode acompanhar a evolução do valor da unidade de participação e a rentabilidade divulgada. Deve considerar os custos e não esquecer que resultados passados não garantem resultados futuros.

Qual é a diferença entre fundo de ações e fundo de obrigações?

O fundo de ações investe principalmente em participações de empresas. O fundo de obrigações investe sobretudo em títulos de dívida. Os riscos e fontes de rentabilidade são diferentes.

Fundo de investimento é melhor do que depósito a prazo?

Não existe uma resposta universal. Um fundo pode oferecer exposição aos mercados e potencial de valorização, mas apresenta risco de perda. Um depósito tem características de remuneração e proteção diferentes. A escolha depende do objetivo e do perfil.

Quem controla os fundos de investimento em Portugal?

A CMVM tem competências de supervisão no mercado de instrumentos financeiros e disponibiliza informação sobre organismos de investimento coletivo, entidades e proteção do investidor.

Rentabilidade passada garante ganhos futuros?

Não. O desempenho histórico pode ajudar a analisar o comportamento do fundo em diferentes períodos, mas não garante que os mesmos resultados se repitam.

Perceber o fundo é mais importante do que perseguir rentabilidades

Um Fundo de Investimento pode ser uma forma prática de aceder a uma carteira de ativos gerida profissionalmente e de diversificar o investimento.

O funcionamento é relativamente simples: o investidor subscreve unidades de participação, o património é aplicado segundo uma política definida e o valor das unidades varia com a evolução da carteira.

Contudo, simples não significa isento de risco.

O capital pode desvalorizar. As comissões afetam a rentabilidade. O prazo de resgate pode não corresponder às necessidades do investidor. E um fundo que apresentou excelentes resultados no passado pode ter um desempenho negativo no futuro.

Antes de investir, defina o objetivo, o horizonte temporal e a perda que consegue suportar sem tomar decisões em pânico.

Depois, analise a política de investimento, o indicador de risco, os custos, a liquidez e a entidade responsável.

Não invista num fundo apenas porque alguém lhe disse que “está a render muito”. Invista apenas depois de perceber onde o dinheiro é aplicado, quanto pode custar e que riscos está a aceitar.

Se o produto parece demasiado complexo, peça esclarecimentos e leia a documentação antes de dar uma ordem de subscrição.

Nos investimentos, compreender primeiro e decidir depois continua a ser uma das melhores formas de evitar erros caros.

Este artigo foi preparado por:

Este artigo foi preparado pelo José Ribeiro, que acompanha clientes no apoio à gestão de seguros. A sua intervenção garante resposta rápida, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento próximo ao longo do tempo.

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